Twitter bloqueia conta da embaixada chinesa nos Estados Unidos que se diz vítima de desinformação

Por Brian Fung e Scott McLean

A medida vem depois da embaixada chinesa fezer um tweet promovendo o tratamento dado por Pequim aos uigures. A postagem, que foi feita no início deste mês, dizia em determinado momento que as mulheres uigures em Xinjiang não eram mais “máquinas de fazer bebês”.

“No processo de erradicação do extremismo, as mentes das mulheres [uigur] em Xinjiang foram emancipadas e a igualdade de gênero e a saúde reprodutiva foram promovidas”, dizia o tweet, citando uma reportagem do jornal estatal China Daily.

Em uma reunião regular em Pequim na quinta-feira, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China defendeu as ações da embaixada.

“A China é … uma grande vítima. Existem muitas [peças de] informações falsas e feias sobre a China nas questões relacionadas a Xinjiang. Claro, a Embaixada da China nos Estados Unidos tem responsabilidades e obrigações de esclarecer os fatos e explicar a verdade. Esperamos que o Twitter possa defender o princípio de objetividade e imparcialidade, não para mostrar padrões duplos sobre esta questão, mas para fortalecer a triagem e identificar o que é informação falsa, o que são rumores e mentiras, e o que é fato e verdade.” Argumentou Hua Chunying, contra as medidas restritivas do Twitter.

A região de Xinjiang, no extremo oeste da China, há muito tempo é associada a relatos de esterilização forçada de pessoas da minoria uigur, um grupo étnico predominantemente muçulmano que reside na área. As autoridades chinesas negaram as acusações.

Os Estados Unidos declararam oficialmente que a China está cometendo genocídio e crimes contra os muçulmanos uigures e grupos minoritários étnicos e religiosos que vivem em Xinjiang.

“Este genocídio está em andamento e … estamos testemunhando a tentativa sistemática de destruir os uigures pelo partido-estado chinês”, disse o ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, em um comunicado na terça-feira, no último dia completo do governo Trump.

Um porta-voz do Twitter disse que o tweet violou a política de conteúdo da empresa, que proíbe “a desumanização de um grupo de pessoas com base em sua religião, casta, idade, deficiência, doença grave, nacionalidade, raça ou etnia”.

O tweet agora “não está mais disponível” na plataforma.

A conta da embaixada, por sua vez, permanecerá bloqueada até que o Tweet seja excluído, segundo o Twitter. Em casos semelhantes – incluindo um envolvendo a conta do ex-presidente Donald Trump – o Twitter exigiu que o usuário excluísse manualmente a postagem em questão antes de recuperar a capacidade de postar. A embaixada chinesa, por sua vez, não tuitou desde 9 de janeiro. Não está claro se a embaixada pretende excluir a postagem para restaurar sua conta.

Em dezembro, uma Comissão Europeia propôs novas leis de supervisão e transparência para as mídias sociais. A lei proposta exigiria até que as plataformas divulgassem seus algoritmos para publicidade e conteúdo recomendado.

A lei dos EUA protege as empresas de mídia social da responsabilidade sobre o que é postado em suas plataformas. Os legisladores de ambas as partes concordam que a lei precisa ser alteradamas não sabem como.

“Espero que não haja nenhum tipo de exagero nas medidas adotadas para silenciar discursos, seria uma abordagem errada”, disse Cindy Cohn, diretora executiva da Electronic Frontier Foundation, uma organização sem fins lucrativos que diz defender as liberdades civis online nos esforços globais para regulação.

O Twitter é uma das várias plataformas de mídia social baseadas nos EUA que são bloqueadas na China, junto com o Facebook e o Instagram. Apesar disso, diplomatas e agências chinesas têm usado cada vez mais o Twitter para promover os interesses de Pequim em todo o mundo.


Fonte: CNN Business

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